Termos Bíblicos: Santidade

Extraído da revista “Leituras Cristãs”. Para ler esse e outros artigos, acesse o site leiturascristas.com.br.

Sob este título temos o propósito de esclarecer algumas expressões que encontramos no texto da Escritura.

Nisto nós não desejamos fazer uma, assim chamada, interpretação “teológica” do termo, mas simplesmente contribuir para a compreensão geral.

Certas palavras que lemos na Santa Escritura, que ouvimos em palestras, pregações, ou talvez nós mesmos usamos, não são compreendidas de imediato por todo mundo.

Um dos motivos pode ser o fato de que certas palavras, no decorrer dos anos, perderam o sentido original através do linguajar “normal”, diário. Quando então esses termos são aplicados no sentido da Escritura Sagrada — em pregações ou escritos — o ouvinte ou o leitor pode ter dificuldades na compreensão daquilo que é dito ou escrito.

Algumas curtas explicações poderão ser de ajuda.

Santidade – Santificação

Todo leitor da Bíblia está familiarizado com o fato que a Palavra de Deus fala constantemente de santidade (hebraico qodäsch; grego hagiotäs, de hagios = santo, separado).

Coisas “santas”, no Antigo Testamento, eram aquelas separadas para serem usadas para Deus (veja os objetos sagrados na tenda da congregação (Levítico 8:11) e no templo (2 Crônicas 2:4; veja também 2 Pedro 1:18)).

Quando o profeta Isaías, em sua visão no capítulo 6, viu o Senhor em alto e sublime trono, ele ouviu os serafins clamando uns aos outros:

“Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos…” (v. 3).

Santidade é uma característica de Deus, que ama a pureza e rejeita o mal, e isto significa que Ele é separado e totalmente diferente de tudo o que nós homens podemos conhecer e compreender.

Nós não podemos sondar Deus em Sua santidade. Se podemos entender algo dEle, isto só é possível se Deus mesmo Se revelar a nós. A propósito, o mesmo também é válido para o amor divino, “porque Deus é amor” (1 João 4:8). Nenhum de nós poderia conhecer esse amor se Deus não tivesse Se revelado como Deus de amor.

E nós sabemos, pelas Sagradas Escrituras, que Deus Se revelou na Pessoa do Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo (1 João 4:9; Hebreus 1:1; João 1:18). Era Aquele de quem Deus mandou dizer:

“o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lucas 1:35).

NEle, Deus foi revelado no Seu amor e santidade, em Seu falar e agir, e de forma absolutamente única, quando Ele realizou a obra na cruz. Ali se evidenciaram as duas características de Deus, a saber:

  • Deus é amor, Ele sacrifica Seu Filho pelos pecadores.
  • Deus é santo, e Sua santidade foi evidenciada de uma forma como nunca antes, quando Deus julgou o Senhor Jesus — que em Si mesmo era totalmente sem pecado e puro — na cruz, quando Ele carregou os nossos pecados. Deus O desamparou ali, e permitiu que Ele sofresse o salário do pecado, a morte.

E agora Deus prova o Seu amor também nisto, que nos santificou “pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” (Hebreus 10:10).

O crente como um “santificado”
ou como um “santo” –
sua posição diante de Deus

Com base nesta obra no Calvário, Deus, em Sua graça, fez de todo crente em Cristo um “santo”, isto é, Ele o comprou para si — tirando-o “do presente século mau” (Gálatas 1:4), ou seja, do mundo como sistema, que é governado por Satanás — e o “separou” ou “santificou” para Si mesmo. Nós somos de Deus “em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção (1 Coríntios 1:30; 1 João 3:1; 5:19).

Nós somos “santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo” (Hebreus 10:10). Deus nos elegeu “desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade” (2 Tessalonicenses 2:13). Essa é a posição em que Deus colocou o crente, e que, portanto, é eterna, imutável e perfeita — como tudo o que Deus faz.

Antes, nós estávamos em uma posição muito diferente diante de Deus: pecadores, impuros, corrompidos… o apóstolo Paulo descreve este estado com palavras claras em sua primeira carta aos Coríntios; mas a seguir ele diz:

“mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados” (1 Coríntios 6:9-11).

Certa vez um irmão escreveu:

“Nada poderia ser mais claro que isso. Não nos tornamos santificados de Deus alcançando certo grau de santidade prática. Nós somos os santificados de Deus, e isto nos obriga à santidade ou à santificação prática. Se o primeiro fosse o caminho de Deus, então isso corresponderia ao princípio da lei. Mas o segundo é o caminho de Deus e corresponde ao princípio da graça” (F. B. Hole).

Apenas à margem, é Deus que nos torna santos, não os homens mediante algum tipo de cerimônia.

Santificação prática na vida do crente

Agora, portanto, o crente tem a posição de santo diante de Deus, e por essa razão, trata-se agora de corresponder a essa posição em seu comportamento, naquilo que ele fala e faz.

Isso somente é possível se o fato da sua separação do mundo e do mal, para Deus, também caracteriza sua vida. Essa é a santificação prática da qual falou Hole. Essa é uma tarefa individual, para cada crente pessoalmente. Portanto, é sua responsabilidade.

Felizmente, o crente não precisa empregar esforços próprios para isso, mas pode contar com a graça de Deus, que sempre está à sua disposição. O Senhor Jesus pede a seu Pai:

“[Eles] não são do mundo… Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:16-17).

O que “devemos” fazer, como cristãos, é deixar que a Palavra da verdade exerça sua influência santificadora sobre nós e não evadir-nos do seu efeito; devemos buscar, em oração, a presença dAquele que também quer nos santificar totalmente:

“Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1 Tessalonicenses 4:3).

Por isso o apóstolo Paulo escreve aos tessalonicenses:

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo… Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (1 Tessalonicenses 5:23-24).

Se nós, cristãos, somos chamados a seguir a paz e a santificação “sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14), então também faz parte disso o abandonar e renunciar a tudo o que é um empecilho para o grande objetivo que Deus tem para conosco: “aperfeiçoando a santificação no temor de Deus” (2 Coríntios 7:1).

Sem santidade, sem separação do mal, não é possível ver a Deus, ter comunhão com Ele:

“Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pedro 1:16).

Portanto, de que maneira o crente pode fazer progressos neste caminho?

  • O Espírito de Deus, o Espírito Santo, precisa ter o senhorio em nossa vida.
  • A Palavra de Deus — aplicada sobre nosso coração e consciência, pelo Espírito Santo — nos separa do mal e nos vincula com Deus (João 17:17).
  • O Senhor Jesus santifica Sua noiva “purificando-a com a lavagem da água, pela palavra” (Efésios 5:26). Ele faz isso com cada um dos Seus. Nós não devemos impedi-Lo por meio de uma conduta obstinada.
  • O amor, que cresce em nossos corações para com os nossos irmãos e para com Deus, confirma nossos corações em santidade (1 Tessalonicenses 3:12-13).
  • Devemos nos apartar da iniquidade (2 Timóteo 2:19-21). Aqui é necessária a energia da fé.
  • “Santificai ao Senhor Deus em vossos corações” (1 Pedro 3:15), isto é, que possamos “dar ao Senhor um lugar singular em nossos corações” (F. B. Hole).

Isso terá, necessariamente, um efeito santificador em nossas vidas!

Esse e outros artigos mais você pode encontrar na revista “Leituras Cristãs” publicada pelo DLC.

Dê uma olhada, clicando aqui.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *